Carta numero 34;
Dezembro, 12 de 2005.
Hoje percebi o porquê de não conseguir viver sem ti; percebi o porquê deste vazio no estomâgo, o porquê de sentir falta de uma parte do meu coração.
Sei que te ririas quando te contasse o como, sei que me irias dar um grande abraço e dizer-me o quão tonta sou. Mas mesmo assim, tenho esperança de que leias, estejas onde estiveres. Promete-me, promete que depois de leres vens e dás-me um grande abraço. Promete que não há distancia que nos possa afastar. Eu sei meu amor, tu prometes-me todas as noites quando me vens aconchegar nas cobertas, desculpa todas estas dúvidas. Sabes que sempre fui assim tão pouco segura, tão frágil fora dos teus braços.
Vou contar-te então .. passou-se assim: fui ao supermercado, sabes aquele mesmo ao fundo da rua ? senti falta dos waffles que me custumavas levar á cama e fui comprar os ingredientes que faltavam, sem ti a dispensa tem estado vazia, os dotes culinários sempre foram o teu ponto forte. Bem, como te estava a dizer, fui ao supermercado e estava lá um casal assim já nos seus setenta anos. Ela muito arranjadinha, tinha vestida uma saia de roda beje e uma camisa cor-de-rosa clara bordada, muito bonita. Apesar de se notarem os sinais da velhiçe na cara, estava muito bem conservada. O mesmo posso dizer do senhor, muito robusto para a idade, muito sorridente. Estiveram o tempo todo de mãos dadas e quando tinham que se largar por algum motivo, ele não descuidava nem um segundo dela. Estavam mesmo á minha frente na fila para pagar e foi aí que reparei, a senhora foi contra uma caixa que lá estava e ele muito preocupado pegou-lhe na mão e deu-lhe um beijo gentil. Olhou para ela e durante uns segundos os olhares deles encontraram-se e mesmo eu estando de fora, consegui sentir o amor que aqueles olhos trocavam, a paixão que os acalorava. Não pude deixar de nos ver naquele momento, de reviver váriadas situações onde trocamos aquele mesmo olhar. Lembrei-me de facto de uma situação em particular, lembraste de quando fomos á feira popular passear ? tinhamos acabado de andar na roda gigante e eu distraída como sempre bati com o joelho, tu baixaste-te de imediato e deste-me um beijinho tão suave, tão doce que um arrepio percorreu todo o meu corpo, em seguida levantaste-te e olhaste para mim e juro, juro que o olhar foi o mesmo. É disso que sinto mais falta, desse olhar calorento e apaixonado com que tu me olhavas todos os dias. Não sei e recuso-me a viver sem ele, sem ti. Volta para mim, preciso de ti, sempre precisei.
Sempre tua, Caroline.
Sem comentários:
Enviar um comentário