segunda-feira, 28 de março de 2011

thoughts

Ele deixa-a ali, prisioneira dos seus pensamentos. Pensa que desta forma a irá conseguir acorrentar ao seu coração, mas não, o que ele não sabe é que ela está farta de pensar, está farta de viver de memórias, de passar o dia a alimentar-se de imagens passadas. O rosto dele que em tempos era nitido como um espelho, tornou-se turvo e ela já não sabe se ele continua a ser o mesmo. O toque, o cheiro dele já não se encontram na pele dela. A cama que custumava anunciar a sua presença, está mais vazia que nunca. Ela procura incansavelmente por um resto, por um pedaço dele, tudo o que encontra é um grande vazio. Desiste, entrega-se á solidão. Só deseja adormecer e encontrá-lo em sonhos, ao menos lá o amor que os unia continua intacto, ao menos lá ela pode adormecer uma vez mais nos seus braços. Os pensamentos surgem uma e outra vez, as lembranças do que eram e do que são repetem-se vezes sem conta na sua cabeça. Parece uma peça que nunca se cansa de ser representada, em tempos teria gostado, teria apreciado até. Mas não agora, não quando a peça representa a sua vida e quando todas as criticas são negativas.

Sem comentários:

Enviar um comentário